" " NOVA CASTÁLIA: Novembro 2014

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terça-feira, 18 de novembro de 2014

CÂNTICO DA PARTIDA






Ouve a brisa de novo ciciando
aromas e segredos nesse cais
e desata a costura dos sinais
onde o destino oculta o seu comando.

O tempo estagnou-se à beira-mar,
e é possível que sintas o azedume
dentro de ti tornando-se o costume
de que é urgente, enfim, se libertar.

Faze da coragem teu almirante
e despertando ao sol do alvorecer
empenha na partida todo o ser
transmutado outra vez em viajante.

PASSAGEM




Numa esplanada sevilhana
comungo a substância tensa e febril da cidade
e temporariamente
sou também a rosa cigana
e aspiro o ar cálido,
espasmódico.

Sevilha dita comandos e submeto-me.

Se acaso sucedessem
a excursão sem limites, a extinção de fronteiras,
e tudo sempre fosse
o festim inebriante em terra estrangeira
de todas as coisas
trajaria feições no caminho.           

Ó deus das contradições!
Ó deus caprichoso e sorrateiro,
dá-me como oferta a miscelânea difusa do ser.

Porque em Sevilha anoitece
e é terrivelmente finita a estada neste dia breve.